quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Notas dispersas do dia!


Somos divididos em "regências de 70 alunos". Os lugares para sentar na sala são distribuídos por ordem alfabética do nome de família....resultado fiquei na fila da frente, lugar central...."#$%&?

Somos atribuídos a uma equipa que vai trabalhar comigo durante o primeiro ano. a minha é composta por:

Um Português (eu);

Três Espanhóis (dois de Barcelona e outro da Andaluzia);

Um Australiano;

Uma Romena;

Uma Israelita;

Um Indiano;

To be continued...

Hoje pela manhã...


O relogio marca 7:30 (6:30 em Portugal), levanto-me para um dos dias mais importantes a que já assisti. Hoje é o inicio oficial do meu MBA em Barcelona...280 alunos de mais de 50 países....enquanto ponho a gravata, relembro suavemente os versos...

"À volta do adro
duas ou três casas
uns bancos vermelhos
ao meio uma cruz
ali um café"

Afinal...a estrada já vai longa....

"Hi! My name is Daniel from Portugal...."

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Poema do dia...


"Esta é a ditosa pátria minha amada,
à qual se o Céu me dá que eu sem perigo
torne, com esta empresa já acabada,
acabe-se esta luz ali comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
de Luso ou Lisa, que de Baco antigo
filhos foram, parece, ou companheiros,
e nela antão os íncolas primeiros."

Excerto dos Lusíadas - Luis de Camões

domingo, 12 de setembro de 2010

Como explicar o significado da palavra Saudade a estrangeiros?!


Ontem durante um jantar fui confrontado com a necessidade de explicar o que significada a palavra "saudade". Nunca tinha pensado em explica-la a um estrangeiro (neste caso uma americana minha colega).

A saudade que vem do latim solitas é uma mistura de sentimento de perda, distância e conformismo. Diria até que um português sente de alguma forma felicidade no sentir da saudade...pois o caracteriza de uma forma única.

Mas a melhor forma para descrever saudade a alguém é sem duvida, mostrar a nossa música...o fado....


Música nº 33 uma das musicas mais bonitas em portugues...


Aquela Cruz, aquele adro, aquelas casas, aquela ponte, aqueles muros de pedra, aqueles caminhos, aquela escola, aqueles bancos de jardim, aquelas pedras de calçada...que a força daquelas gentes com aqueles sonhos, aquelas aspirações, aqueles secretos desejos....e sempre aquela luz...símbolo de uma identidade...de uma fé...em algo que apenas a Saudade sabe descrever....


À volta do adro
duas ou três casas
uns bancos vermelhos
ao meio uma cruz
ali um café
ao lado da igreja
uns homens parados
e uma linda luz

Sim estou convencido
qu'isto é mesmo assim
que nunca se conta
bem o que se vê
e levo comigo
já sem aprender
o que os olhos vêem
e eu já não sei

Com a voz que me resta
eu não vou poder cantar
as coisas do mundo
não sei descrever
estou longe
são portas fechadas
segredos por revelar
são coisas do mundo
só se podem ver
ao longe

Música nº 32


Porque faz 15 dias hoje que me mudei para Barcelona...ficam as saudades num domingo de manhã....


No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo

Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar

Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

Lisboa no meu amor, deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida